quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Aquela velha tv nos trás
notícias novas
notícias quentes
requentadas em folhas velhas
requintes de crueldades
na deformação do conteúdo
ou na deformação que
o corpo sofreu pelo agressor
um assalto na esquina
ou um adultério da primeira dama
as notícias novas,pasmem,
são apenas velhas formas
escândalos do século passado
revivido em um papel ou tela contemporânea
tele-notícias,tele-mentira
A novidade vem veloz pelos corredores
mas se percebe que está perto dos holofotes,
passa de cabeça baixa e
em silêncio
a novidade,vestida de verdades se faz muda
pois toda vez que grita aos quatro ventos
a prendem e algemam
e lhe dão outro nome
cortam sua língua
a expõem em horário nobre
com outras peles
A novidade se cala por que não quer
vestir uma roupa que cheira a mofo
nem fazer um papel de fantasma
a novidade esconde a voz
por que não quer virar notícia
e deixar de existir...
(Dine)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Eles estão correndo rumo ao futuro
sem saber que a festa é aqui
Estão correndo com
os melhores tênis e amotecedores
mas não dará para
amortecer o impacto da queda
com a chegada do futuro
Futuro-construção do que se foi feito antes
pra ser usado depois
Então me diga cidadão,
se você não construiu nada
enquanto corria
desenfreado rumo ao futuro
que ventos virão?
(Dine)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

E a saudade produzia
uma espécie de
ser perfeito
voltar ao lugar
de origem
era matar o personagem
e ir de encontro ao real
(Dine)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Transcender o meu corpo
e ceder ao teu desejo
Eu tenho sede é de você
E rasgar a seda do teu vestido
e fazer sentido
Eu tô querendo é beber na tua boca
Eu tô querendo entender a
tua forma de esfinge
Decifra-me ou te devoro
Devoro.
(Dine)

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Os homens & suas neuroses
vivem ouvindo vozes
eles & suas loucuras
sempre pulando de grandes alturas
Convivendo com seus defeitos
na ilusão de serem homens feitos
Desconhecendo de onde vieram
e querendo sempre saber pra onde vão...
(Dine)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A casa fechada
o corpo aberto
esperando o tempo fechar as feridas
[e escapar pela janela ao lado]
(Dine)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Toda manhã acordava-se
com aquele cheiro de café velho
ninguém mais naquele ambiente decadente
sabia preparar um café ou escolher grãos
acabavam por não reconhecer o bom gosto
degustadores de poeira e mofo
Fadados a receber em suas bocas algo
frio e amargo:
o descaso por novas receitas
[Dine]