domingo, 26 de dezembro de 2010

Suspiro de vez em quando

vou a Luanda por sonhos

mas preciso estar sempre despertando do sonho

antes de acabar.

Desperto pra poder voar com os olhos abertos

e achar o caminho

acertar o alvo e

me lançar em teu corpo

,repousar em teu peito e

em teus braços sorrir,amar,dormir,sonhar...

(Andressa e Dine)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O rebanho vai seguindo a voz da televisão,muitas outras orientações seguimos,vamos pelo rastro e opiniões de nossos amigos e até anônimos ,mesmo não sabendo exatamente onde este caminho levará.O fato é que ninguém quer ficar para trás,não se cogita ficar fora de um grupo social e sofrer coerções por não estar inserido em um padrão.Uma parcela considerável opta por se formatar através dos veículos de massa.Para cada um que está andando em círculos neste labirinto surge uma sensação de estabilidade,normalidade – Estou seguro,faço parte de uma estrutura,possuo identidade e sou reconhecida em um grupo.

O que há por trás do véu,quais problemas estão sendo varridos pra debaixo do tapete?

No século XIX com o avanço das ideias democráticas,o monopólio da cultura foi abalado graças a abertura da educação para as camadas da sociedade.Os privilégios da elite ao acesso das informações agora era dividido com o povo.Algumas cabeças perceberam que o povo era em potencial um excelente mercado para a recém indústria .Começaram a consumir cultura no entanto,povo e burgueses não partilhavam do consumo da mesma cultura. Foi criada a partir da cultura local,uma cultura de massa e para criá-la foi preciso destruir a cultura local e incorporar algumas partes dos destroços ao novo sistema.Nessa transformação para cultura de massa,a cultura tradicional passa pelo crivo ideológico, fazem uma seleção que ao povo não é nada compensadora: utilizam a casca e jogam o conteúdo em uma vala escura. Assim há uma formação de uma sociedade que não entende sua cultura e não consegue se reconhecer nela.A cultura é a estrutura que dá a possibilidade da dialética código/existência através da troca de informações entre os dois níveis a analise do real e da criação,quando não há entendimento da realidade surge seres próprios para o consumo e incapazes de mudar ou decidir o rumo das ações,não são agentes ativos e sim passivos.

Estar condicionado a seguir ídolos e imagens sem saber a origem dos seus discursos e não ser capaz de compreender seus conteúdos é amputar uma parte da identidade individual,um passo para ser transformado em um boneco de manipulação que segue as cartas de acordo com os interesses das grandes empresas e governos que com a ajuda das publicidades bancadas por eles mesmos moldam o caráter coletivo de vários grupos sociais.Não saber o porque das decisões tomadas é perder a chance de fazer parte da historia real e tornar-se apenas um peão no jogo de xadrez.Deixar a vida de um reino todo nas mãos de um único que mexe as peças ...em quanto isso,as peças só rezam para continuarem vivas... e que vida é essa?!

(Dine)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Em casa

Para Ariadne.

Agora será bem mais fácil preparar o almoço. Colocaram vidros no basculante da cozinha, o vento não mais apagará o fogo das panelas. Dona Lúcia sorri aliviada, uma economia e tanto, o gás nunca durava o mês inteiro com o acende-apaga das bocas do velho fogão. Dia 20 e já estava ela comprando botijão de gás fiado na quitanda de seu Morais. Dinheiro só no fim do mês. Professora da rede estadual de ensino, mil quinhentos e setenta e cinco reais. Isso antes que se descontassem todos os empréstimos (que não eram poucos), as tarifas do cartão de crédito e as variadas taxas que seu banco sempre cobra. O que sobra é para o básico: alimentação e escola das “crianças”.

Nada de supérfluo, nem mesmo a uma calça nova dona Lúcia se dava ao luxo. Aqui, acolá uma pizza com a família: um menino, uma menina, o marido. Hoje dona Lúcia acordou esmorecida, a tontura de sempre, labirintite. Lavar as roupas, fazer comida, mandar o filho ao mercado comprar alguma verdura, visitar o sobrinho de um ano (casa ao lado). A rotina. E o zumbido no ouvido, as pernas cambaleantes, leve desorientação espacial. “Mas ela é forte!”, pensam os filhos adolescentes. “Traga aqui um café, Lucinha”, grita o marido, em frente à TV, pés sobre o raque ( cinco prestações de vinte e nove e noventa e nove). E ela, já deitada na rede, levanta-se. Quase uma Amélia. Chaleira fervendo no fogo, pó de café. Uma água preta e quente descendo através do coador de pano já gasto.

Os quartos ainda por arrumar, as garrafas de água na geladeira ainda por encher, os banheiros sujos. Os filhos ajudam pouco, ajudam muito pouco. Desde que sua empregada doméstica a colocara na justiça (“quero meus direitos! Dezesseis mil”), dona Lúcia decidiu abrir mão de qualquer diarista, fosse ela quem fosse. A irmã de dona Lúcia ligara semana passada. Uma menina boa ela tinha conseguido para trabalhar na casa de Lucinha. Evangélica, não gostava de folia e sabia respeitar bem os patrões. Saída do interior do Maranhão. “Não, mulher. Os meninos estão se organizando mais, eu já nem me esforço muito”, mentia dona Lúcia. A vida para ela , na rua ou em casa, sempre fora assim: um jogo de esconde e mostra.

*ps.: nesses dias de ócio, até um conto ( de qualidade duvidosa) saiu e, em nome da boa companhia que vc sempre é, resolvi te dedicar.

(Lucas Coelho)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Universo paralelo nenhum
me traduz tão bem
tal qual teu abraço
ou riso desmedido

Nenhum modelo
desses de vitrine
esses mesmos,
pré estabelecidos
felicidades compactas
que cabem em uma caixinha
elas não preenchem
nem um triz dos nossos corpos

Essas roupas e disfarces
produzem cenas cômicas
à sete chaves,
onde tudo é permitido
Me permito esquecer todo
o faz de conta e não há espaço
ao meio termo

À sete chaves,
me dispo do que não sou
e permito você ser
mais que pele
Permito sermos
muito mais que reflexos de
termos durkheimianos
esquecemos os mitos
os livros
os ensinamentos academicos
ou valores sociais
somos transparentes
somos dia,
somos noite
e na boca:
Amor não falado
mas,
sentido em todos os poros
(Dine)
Ontem - lance louco - normal
Fechei, os olhos era dia
Espirrei,era noite
sonhos intranquilos
Hoje - lance louco - surreal
Virei poema
Roupa nova no varal
Fim do trilho,
batalha naval
bem ou mal
que diferença faz?
virei rio
virei vento
segui rastros
percorri mares e ares
Amanhã - lance louco - legal
sou tudo e não tenho nome
sou leve e não devo nada
sou só sentidos
seguindos a direção - diferencial
(Dine)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Globarbarização
Mantos de diminutas ideologias
cobrindo e velando o sono do mundo
e enquato ele dorme:
pesadelos no cotidiano.
(Dine)

Hollywood

cria o mundo

sua imagem e semelhança

e quem não segue
o script ,
vira fantasma em filmes classe C

Cinema da estética
Hollywood faz um
mundo de efeitos especiais
e enlouquece a realidade,
que tenta alucinada ,
reproduzir no cotidiano
cenas de filmes

O mundo caricatura
mundo circular
o cinema imita a vida
a vida imita o cinema
todo mundo espelhando -se
no outro e o outro não diz nada!
(Dine)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Quase ninguém percebe:
os contos de fadas
não refletem nos espelhos

Nos vários quadros sociais pintados
as imagens formadas são cenas vivas
sem memória
não sabem sua origem
e nem de onde vem a noite
com suas lendas e
histórias que parecem alucinações

- No fundo?

-Contos reais de séculos passados
adormecidos e entorpecidos pelo
tempo]
(Dine)

sábado, 11 de dezembro de 2010

A humanidade vive bailando
em uma realidade
de paradigmas amordaçados
e apagados pelos séculos

Se pisa em pontas de ice bergs
sem notar a raiz de cada
traço que compõe a imagem que observam

A sociedade está toda
empoeirada e pensa
ser totalmente pós-moderna

Ela está mofando
com suas grades
sacadas escondidas em
uma caixa de pandora inversa.
(Dine)
Teresina
explodindo
em gritos
de silêncio
muito
barulho
por nada !!!


(Dine)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

TRANSCENDÊNCIA

Atalho para o universo?




- Céu da boca !

(Dine)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Vamos fazer da vida algo pulsante e sagaz
vamos fazer dela
algo que não se espante com as grades
em vez disso:
criar asas pra não se prender
a nenhuma armadilha ideológica
implantada por quem quer assumir o poder
Vamos desacreditar nos muros
derruba-los (ou não)
ignorar sua existência a tal ponto
que possamos passar por dentro deles
como se eles fossem apenas fumaça
Vamos tornar ilegítimo e inacreditável
qualquer forma de dominação
que nos tire a liberdade
Sem contratos sociais que
os únicos beneficiados
são os que não merecem
Vamos fazer da vida algo pulsante e sagaz!
Dine
Falaram da minha roupa
do meu cabelo
da minha língua
do nó seco e cego
na garganta
mas o que eles nunca falam
é do que vêem toda vez que
refletem na frente de um espelho.
(Dine)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Sobre nós:

Sobre nós
Um céu de palavras
Um véu de poesia
um universo nos embalando
e monte de dados biográficos
além de nós?
Umas doses lisergicas de vidas fantasiadas
vozes a mais cheias de alegorias
um céu que nos protege e banha
nossos corpos com gotas de poesia
(Dine)

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Pegar uma navalha
e abrir o cotidiano
revirar pelo avesso
acelerar o movimento
pra essa calmaria
se transformar em vendaval
Pra ver o circo e meu corpo
pegarem fogo
A cidade em chamas
e você dançando em brasa
(Dine)
Tudo cheira a calmaria
esse cheiro sempre me deu náuseas
quando os dias são assim,
sobra só o desespero de não nada de novo

Nunca tive paciência
pra esperar ou pra ordens
Sempre gostei do mundo
em convulsão
e o gozo bem no meio
das minhas pernas

Me dá nos nervos
as poses de bons moços
e comportadas senhoras
tudo em ordem
tudo em paz
- Mas na verdade,
como é que se faz?
(Dine)
Meu corpo é uma prisão,
mesmo que eu não queira
faz parte de mim
transmite mensagens
algema metades e inteiros
Meu sexo ajuda e atrapalha
as vezes sou mais que ele
(em poucos segundos)
em outros segundos
o que enxergam é só uma vagina
Meu corpo fala demais
dá dicas e respostas
que podem me entregar aos lobos
É meio agente secreto com mil e um disfarces
entre quatro paredes,
assume a primeira face?
Meu corpo também sou eu
e isso custo a admitir
a carne é fraca
ostento a imagem de forte.
(Dine)
- Que amor era esse,
que não nos dava paz?
- Que amor era esse,
que não nos deixava voar?
(Dine)
Vestir a roupa da seriedade quando não passa de uma relação piada.Menino brincando de ser homem e deste papel só aprendeu a parte de impor pensamentos que só condizem com o vazio,brincando a tanto tempo que a caricatura já pensa por si só e tem a ideia que é real.Está grudada nos móveis,na carne ,em algumas palavras(que claramente,sempre estão entre aspas)e até na moldura recém posta na parede da sala.Cansei,cansei de estar enternada em um terno e num mundo faz de conta que não conta e nem paga o que eu quero ver.Cansei de estar enterrando meu cotidiano,perdendo o mundo espetáculo em troca da tua peça.Essas cenas eu já vi mil vezes e quer saber? Você nem é tão bom ator assim!
(Dine)
"Estava em um pesadelo.Tudo lhe pareci mecânico,até os gestos que deveriam ser os mais naturais.O que dava mais medo era que... ela estava se acostumando a isso..."
(Dine)

Mr. Jonh

O sonho não acabou,
só assumiu novas rotas!

(Dine)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Fala agora,
- Que que tem?
Seria medo,de ir mais além?
Fala agora
-Que que foi ?
(ou nunca será?)

É só medo de ir pra chuva e se molhar?
(Dine)
Ah,o amor
amor é quando o espelho de Narciso
passa a refletir o outro!
(Dine)
A ordem está implantada
é nossa enfermeira de plantão
sentidos internados em cada um de nós
hospitalizados sem saber
nenhum recebe alta
vez ou outra um foge do hospício
(Dine)
Só existe o instante agora
Ontem é lembrança,
amanhã imaginação
Façamos aqui
Agora!
(Dine)
"O céu se pintou de vermelho
enquanto que na madrugada
inventávamos um arco-íris na cama"

(Dine)
Esses nossos desencontros em
rodoviárias
você chegando e eu partindo
você dando tchau e eu de
mãos atadas e coração partido

Mas eu te encontro sim
na esquina do acaso
naquela hora não marcada
Nenhum de nós vai se atrasar
Isso é certo
na certa os ponteiros vão se alinhar

Fortaleza vai nos unir
algemar nossos braços
por cometermos o crime
de nos perdermos tanto
algemar nossos braços
pra não ter mais que procurar

Fortaleza proverá
e nos verá
caminhando por entre suas
artérias & veias
vida correndo pelas avenidas
sangue pulsando em nós

(Dine)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Naquele instante em que os ponteiro
não marcam hora alguma
Não ache estranho não
eles estão marcando
o encontro dos nossos
olhares e o enlace
dos nossos corpos
(Dine)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Eu gosto da mesa do café da manhã sem a preocupação se vão todos acordar na mesma hora e ocupar simultâneamente seus respectivos lugares.Mesa posta sem hora pra ser tirada.Gosta da rotatividade que isso dar.Há sempre alguém tomando seu café,enquanto um ler manchetes populares,alguém passando manteiga no pão, o do lado rabiscando um papel...As conversas fluem de maneira tão leve,comentários sobre os tecidos da noite passada acompanhados de sorrisos e sacadas.Opções sem restrições: fica quem quer! No final,todos querem continuar sentados um ao lado do outro desfrutando da tranquilidade de um ato simples.Querem expor suas prateleiras de pensamentos,por mais açúcar no café e na vida.Gosto dessa falta de tradicionalismo e quando quase todos já saciaram a fome de pão,palavra e de gente,gosto de ir pro quarto debaixo das cobertas pra acordar com um beijo aquele que é sempre o último a levantar...
[Dine]

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A gente não vai
Já saimos a muito tempo à galope
em cavalos imaginários
mas não se quis fazer alarde
continuamos com o mesmo corpo
mas em diferentes selas

Não seremos em algum dia
perdido no futuro
Já somos desde o passado
só não se quis fazer barulho
pra os surdos não distorcerem
o caminho e as palavras

Sem fazer alarde e sem estar nas celas do tempo
livre em nossos cavalos com asas
em nosso universos de nuvens em mega tons
terra firme ?
A gente anda em outros planetas
concretismo é verdade pra vocês
[Nós já esquecemos dos conceitos do passado!]

(Dine)

Sair do ponto

O lance não é esperar
sentar em uma bela poltrona
esperando a hora exata que
relógio do acaso
marque um ponto pra você


É ir além
dos fatos e das previsões
astrológicas ou não
esquecer todas as vozes
desligar o controle remoto
a luz do abajur
e se transmutar

E se você já aprendeu
ou se arrependeu de algo
ficar contido
ficar vestido
perder o sentido
não é a opção
nem a lição a ser tirada desse vendaval
Passe o filtro
absorva as experiências
nem tudo é circular
não é porque machucou os joelhos uma vez
que nunca mais deva correr
os acontecimentos podem ser parecidos
mas são passiveis de mudanças
calor temperatura e estado

Esperar,
ficar sentado?
Não adianta
Apatia não é ter cautela
nem saber qual é a hora certa:
é não ter coragem de ir além da hora marcada
e assumir as consequencias dos fusos hórarios
do mundo e o seu.
(Dine)
Na alta atmosfera
núcleos leves
carregados de nêutrons

Na alta sociedade
núcleos nada leves
disfarçados de neutros!
(Dine)

sábado, 30 de outubro de 2010

Ou tudo o nada

Pagu queria tudo
mas só via
o nada !
(Dine)

Realidade:

A gente vive
uma verdade
de mentiras ...

(Dine)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Pare de ler o livro
e vá escrever a vida ...

(Dine)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Os labirintos mostraram diversos caminhos.
Metade dos troianos não saíram
se quer de dentro do cavalo.
Acertaram o calcanhar de Aquiles
mas não o alvo certo
este era ,o coração da princesa.
Essa,de tão inacessível aos medianos,
nem ao menos apareceu na história.
Virou logo lenda,contada só aqui:

Havia a mais bela de todas,
vive com as ninfas
Agora,só de vez em quando
um mortal consegue chegar em sua fonte
e por tempo (menor que a palavra eternidade)
bebe de sua água e goza junto aos lábios e riso da princesa
(Dine)

Orgias:

- Eu li Engels meu bem,
então nada de falsos moralismos
para cima de mim!

(Dine - meio que a origem da família,do estado e da propriedade privada)

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Eu quero mais
e eu sei :
vocês podem me dar
Eu sei de tantos por aí
com vários embriões
implorando pra nascer
aparecer & crescer
mas no comodismo do cotidiano
em cada cena
de ato em ato
a galinha morre sem papo
e há milhões de abortos no final do espetáculo
Ah, eu queria tanto ver o trigo sendo colhido
cansei de queimadas deixando as mentes e os solos
cada vez mais secos e infertéis
(Dine)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Liquidifica dor

As vezes a chuva não é um fenômeno metereológico
Na maioria das vezes ela se forma nas nuvens
mas tem dias,que se forma antes de tudo: em mim
Nem todas as chuvas atingem o solo
algumas guardo só comigo
são virgas íntimas que evaporam antes de cair em
qualquer pele ou solo muito árido
Mas nos dias que não há explicações científicas
e a chuva precipita voando em direção ao chão
é apenas as nuvens conversando com meu coração
e dizendo que ao menos elas entendem o que está acontecendo
Quando me dou conta que o céu começou uma conversa
saiu correndo para fora de qualquer barraco que
dê a errônea impressão de proteção
caio nos braços da chuva
deixo que a água líquida passeie pelo meu corpo
e assim vou liquidando os minímos vestígios
do que não era meu mas estava em mim

(Dine)

Espaços para voo

Estilhaços de vidro pelo chão
Hoje não importa,
só há espaço para a dança das borboletas
(Dine)

sábado, 23 de outubro de 2010

Evasão:

Um beco,
um beck


(Dine)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A prece

Em alguns dias de domingo
o simples caminho de casa até a padaria
parece fotografia recém tirada de um filme
E dias assim até se consegue fazer bons planos
ou mesmo aguentar alguns ranzinzas
Há quem diga que possíveis ateus,
quando se deparam com tanta beleza gratuita
façam uma prece:

- Meu Deus,permita que todos os olhos
consigam sentir tamanha beleza...

É certo que ao menos alguém ouve essa prece
(Dine)

domingo, 17 de outubro de 2010

Refletores

Banheiro é um lugar meio sujo (mesmo os mais limpos),é que remete a dezenas de corpos indo a esse cômodo lavar-se das coisas que impregnam os corpos e dias.Mas esse banheiro aqui me agrada,sento em seu chão e fico chapada mesmo sem usar nada.Olho pra pia e ela está com o encanamento quebrado,pequenas gotas caindo uma a uma,os meus minutos também andam caindo e não há Albert Camus que dê jeito.Fico aqui meio em transe observando as coisas passarem como se houvesse uma tela em minha frente e o filme dos meus pensamentos passa.Banheiros não são cinemas,não há telas,no máximo espelhos.O filme que passa nesta noite projeta-se em viagens internas,a noite passa em minha cabeça.Não há aparelhagem tecnológica que o transmita ao mundo.Em quanto o corpo meio dorme e a mente labuta, o espelho filma tudo.Engraçado que a filmagem seja superficial.Nela só aparece meus olhos a observar o reflexo.O espelho só filma a outra câmera ,as verdadeiras ações refletem dentro de mim.Banheiro é coisa meio suja mas sei lá,esse daqui é um bom cenário pra filmes classes C ,filmes tão banais...

(Dine

Armaduras negras

Eu só luto
pra me dissolver longe
de você .

(Dine)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Um passo para o espaço

Entre sapatilhas & armadilhas
bailarina ensaia para o espetáculo
não sabe qual será o próximo passo
Grandes cortinas vermelhas se abrem
a bailarina quer despir se do espartilho,da armadura
ditadura dos outros em que sobrevive
quer sair do casulo
deixar de ser voto nulo
virar borboleta
e esquecer a plateia que não sabe voar
Sucumbir aos seus próprios desejos
quebrar o mito da boneca de porcelana
quer simplesmente ser .E não ter a obrigação de ser
Ainda quer dançar mas não nos palcos
e sim no espaço
livre dos pesos dos olhares
e da gravidade

- Vamos flutuar por aí?
(Dine)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Decidi, optei por não perder

os segundos.

Agora tenho "asas"...

(Dine)

Meus olhos são lentes inversas
filmo o mundo em paradoxos
verdades e mentiras
construindo castelos com bases sólidas
entre a sordidez e o sublime
o real e o impossível
vivendo de mãos dadas
nesse mundo imponderável
(Dine)


Eu não sei mais o que se passa na tua cabeça
estamos nos perdendo,não?
Em labirintos
em falsas distâncias e proximidades
Cada dia sabemos menos o que se passa entre nós
e por nós
ao perceber a ruptura
estamos a nos achar novamente ,não?
(Dine)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Vamos tirar toda
essa maquiagem
só pra ver
o que fica deles!
(Dine)

sábado, 2 de outubro de 2010

Que fim levaram todas as flores?

- Que fim levaram todas as flores?
-Chego a mudar de calçada quando aparece uma flor,se esta não for de plástico.É que as flores vivas ,com todos os seus desejos e impulsos me intimidam.Elas sentem,pensam e possuem vontade próprias e ainda por cima não são qualquer espécie de ser vivo,são FLORES - símbolos de beleza e serenidade.Nos tele transportam para as mais belas memórias olfativas.São flores com seus perfumes,cores e significados e lembram resistência na letra de Geraldo Vandré,no poema de Drummond quando ela nasce meio ao asfalto - aquela flor pequena,solitária briga com o mundo.Mudo de calçada porque o medo me invade.Frejat já alertava em uma canção e Nando Reis falava do paradoxo de um mundo com milhões de vasos sem nenhuma flor.O mundo está ao contrário e ninguém reparou? É por isso que flor pra mim,só as de plastico,sem cheiro,perfume,sem poesia de Vinícius ou qualquer vestígio de algo que faça as pessoas acreditarem em possibilidades.Confesso que pensei em exterminar até as de plastico afinal,elas iam trazer a tona memórias das originais.Amadureci um pouco e percebi o quanto interessante são essas inofensivas flores de pet que não morrem jamais,sempre estiveram mortas,estatuas para todo o sempre e ao olharem para elas,encontraram alguma beleza no entanto,são opacas e frias.Estão no ambiente mas não o completam.Os transeuntes andam tranquilamente mas não sabem o que está errado... são essas flores radioatiavas meus caros!
(Dine)

Descobertas

Por fora
Por pra fora
E ir mundo a dentro
(Dine)
"Então depois daquela dor absurda
aprendeu(decidiu) que o mundo inteiro
seria sua casa e percebeu que tinha renascido..."
(Dine)

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O amor é sei lá:
espécie de fábula
que ainda não sei bem
decifrar a moral no final da história
por isso tomo cuidado ao
ler os livros e os homens
que os contam
que os cantam
em suas páginas ou corpos
(Dine)
A noite é muito longa
então vem pra cá
e passa a língua por todos
os lugares que ainda dá tempo

(Dine)

O que ninguém diz

Nas entrelinhas do discurso
Nas mínimas mudanças no semblante
Na exaltação da fala e dos corpos
suavidade ou aridez dos gestos
o que ninguém ouve ,
é o real sentindo de todos os gritos do silêncio
é a mensagem que devemos decifrar na tentativa
de conhecer as reais propostas .
(Dine)
(Para Jessé Carvalho - te cuida cara!)

Há gente que ainda tá nessa jornada mas
os fantasmas parecem mais vivos
Há estações que parecem paradas no tempo,
custam a passar...
O outono ainda tá aqui e faço das folhas que caem
um livro que não consigo queimar
Entre sentimentos e estações nas paradas do meu ser
preciso pegar outra condução
(Dine)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010


"Às vezes eu tenho vontade de comer o "biscoito de encolher" da Alice e deslizar no tobogã desses cachos, como faziam os caça-fantasmas num dos desenhos da minha infância..."

(Vivaldo Simão)
Me falam que o problema do Brasil é políticos que roubam demais,no entanto, problema maior é nossa educação histórica e nosso povo que age de acordo com esse tal aprendizado.Não falo isso querendo me basear naquela triste história pra boi dormir que somos descendentes de índios preguiçosos e depois veio o povoamento do Brasil com prostitutas e ladrões - É muito mais que isso,é tanto que não sei nem explicar,uma mistura de cristianismo distorcido e um capitalismo desenfreado talvez.
Nosso aprendizado desde tempos remotos fez com que achássemos normal deixarmos nossas vidas sempre nas mãos de outros,aos cuidados de terceiros.Como posso deixar a coisa mais importante do mundo nas mãos de outra pessoa?Como posso tirar ,abdicar das escolhas,de ser comandante e atuante? Há muito tempo as mulheres doam suas vidas aos seus maridos até perderem seu brilho,os filhos custam sair debaixo das asas dos pais mesmo que com isso eles percam a autoridade sobre suas próprias vidas,os funcionários deixam escondidas suas mais altas potencialidades de criatividade para se algemar espontâneamente nas ordens do patrão... o povo? Esquecem seus país e seus direitos nas mãos dos políticos.Será resquício do tempo do colonialismo?
Quem não luta por liberdade não é digno dela, ora quem não luta por seus direitos também.Nosso Brasil é um país de absurdos e o mais absurdo nisso tudo somos nós,a nação brasileira.População diversa mas que só é lembrada pelo estereótipo de samba-mulher-futebol.Veja até que ponto nossa construção educacional nos leva: até quando vamos levantar a voz é com receio,é como uma minoria pedindo aceitação ,questão de percepção,se juntarmos toda as minorias,veremos que são a maioria,só que essa maioria não aprendeu a ter voz.
Uns poucos em centenas de anos calam nosso país.Ensinam que esses poucos é que vão cuidar de nosso futuro...enquanto nosso futuro não for traçado conscientemente por nós vai continuar o circo pegar fogo.Deixar sua liberdade nas mãos de outros é perder sua dignidade - e resta pouco quando nem dignidade temos .
(Ariadne)

Atemporal

Saudades daquela rotina!
Mas os bons ficam
então fica os cheiros e os gostos
fica você aqui
perto de mim!
(Ariadne)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Questões de gênero

- É só abrir a mente?
-Não , é só abrir as pernas mesmo!

(Dine)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Eu pensei que sua mão passando pelo meu corpo iria me acalmar e que seus beijos me fariam bem.Pelo contrário,encontrar você foi como dar um tiro no próprio pé.Você não conseguia me salvar do vendaval que eu me encontrava,alias,nem conseguiu perceber quanto fora de rumo eu estava.Sem nenhuma sensibilidade para ver além dos olhos e isso me deixava mais fraca.Em carne viva.Quanto mais chegava perto... mais machucava...
Voltei pra casa e tranquei a porta antes que você soubesse como entrar

(Dine)
E pra que essa história com H maiúsculo
se ela não conta a historia
de nós dois?!


(Dine)

Movimento circular nas ruas

Necessidade de conselhos & conversas
que construam algo ou que reguem as
sementes já existentes
mas aqui...
aqui meu amigo só há água para quem não tem sede
água para quem quer banhar e se renovar,
essa é bem escassa
é mesmo um sertão esse nordeste
e vivendo no meio dos cactos
cactos que se camuflam em movimentos de resistência
quando na verdade são apenas espinhos...
vivendo nesse terreno não semi ,
mas totalmente árido ...
tenho medo do sertão
e de no final
virar um ser tão agreste...
(Ariadne)

domingo, 26 de setembro de 2010

Eu sempre soube que você queria fama
eu sempre soube que você queria cama
& mesa e banho & holofotes das mais potentes
luzes para distorcer teu real signo
Eu sempre soube que você queria fama
muito éter
pouca consistência
muita prosa
pouca poesia
E as pessoas na tua cama
não enxergam a tua verdade
não compram a tua imagem
não percebem tua carne e cicatriz
as pessoas que te acompanham
aproveitam a tua fama
tua necessidade de brilho
mas o teu falar
teu pedaço de melo-drama
ninguém uma vez quis ouvir
se perdeu no meio do furacão
que foi o personagem que criou
vestiu a roupa pelo avesso
e o zíper não consegue abrir
nem o antes ou o agora
nem tuas dores ou as falsas cores
quem te acompanha
só quer aquilo que você sempre quis
FAMA !

[Ariadne]

Reacionários

Mas que coisa,
querer fazer algo novo
é fazer algo velho!

(Dine)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O
O meu menino partiu.Digo menino pelo seu tamanho,corpo pequeno e nós,que aprendemos a ver tão superficialmente,custamos a acreditar quanto conteúdo cabe naquele pequeno frasco.O meu menino partiu e com ele levou um rio de lágrimas e uma sacola pesada de saudade.Espero que as lágrimas virem logo correnteza boa e a saudade amarga,dê lugar a lembranças doces...É que nossa vida deve ser mesmo uma constante viagem cheia de idas e vindas,chegadas e partidas.O meu menino quer mudar o mundo,que esse novo lugar ensine que a primeira grande mudança acontece em nós mesmos!

Hello,Wisconsin !

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Incontáveis copos & corpos
quebrados pela noite
derramando no chão seus
líquidos e angústias
Injetam em si heroína e
tentativas baratas de sufocar o vazio que sentem
noite após noite
rastejam pelas ruas e bares da cidade
camuflando seus rostos e dores
Querem para si,momentos de euforia
para quem sabe assim,mostrar ao público/multidão
uma realidade ausente em suas vidas
mas não percebem que ao tentar mudar seus estados de
espírito com tão baratas doses de ácidos
as suas imagens aparecem em carne viva
na maior nitidez jamais vista
entre sorrisos amarelos,baganas de cigarros,por trás dos olhos,
no auge da madrugada,no meio dos copos e corpos vazios:
decadência e solidão
(Dine)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Quem tem rémedio ao corpo do mundo?!

Eu não sei qual o sedativo andam a dar aos seres humanos
mas se anda hoje com um andar morto,lento, como se fossem
novos zumbis na pós modernidade
Andam tão frios: corações sem bater,corpos a não sentir
alheios aos seus semelhantes
alheios a si mesmos
cada dia mais máquina
menos homem
mais rápido
menos perceptiveis
a olhos [ou corpos]nus
cada dia mais fósseis desfocados
de um mundo remoto de séculos passados...
(Dine)

sábado, 28 de agosto de 2010

-Do tipo que ainda manda flores?!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Ah,como eu [não]te amo

Eu não posso em minha poesia aumentar
o tamanho da dor ou do amor
o que posso é senti-los em seu mais alto grau
e descrevê-los como se assim tentasse externa-los
Não quero iludir ninguém aumentando o tamanho das coisas
paradoxalmente:
iludo & inundo a mim com essa fantasia
é que nesse mundo,preferem as mentiras
e falar a verdade é irreal
(Dine)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Doses extras

Naquela noite,
o mundo se apresentou
com todas as suas faces
e ele jamais conseguiu
suportar a monotonia da realidade novamente.
(Dine)

domingo, 22 de agosto de 2010

Outras receitas:

Duas cervejas antes de durmir
é melhor que
contar carneirinhos

sábado, 7 de agosto de 2010


Ô seu moço do disco voador,
me leve com você ,pra onde você for
Ô seu moço mas não me deixe aqui
enquanto eu sei que tem ,tanta estrela por aí...
[Raul Seixas]

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Escrever

Será como olhar em um espelho ou então em águas que reflitam imagens.E neste momento serei dois e ouvirei com cuidado minha alma duplicada.Mas esta viagem não é para ser um mito narcísico.É pra gerar sabedoria:conhece a ti mesmo.
(Ariadne)

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Malkavianamente acabou
típico desses casos:
sofria de alucinações
um dia cansou de brincar com fantasmas
Fim!
(Dine)

Vamos?


Vamos?

sábado, 31 de julho de 2010

Vou desmanchar todos esses nós na garganta
antes que essa corda me sufoque
antes que os nós comecem a parecer
parte certa desta anatomia
e a garganta não seja mais capaz
de despejar no mundo qualquer
grito de liberdade...

sábado, 24 de julho de 2010

Em mim?
Borboletas de vidro ,
que perfuram o estômago
e voam mundo a fora
ultrapassam a euforia e
transmutam-se em felicidade
(Dine)
Tudo é mistério
nesse seu
olhar !

(Dine)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Bazingaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Ele arrancava dela
tudo que suas mãos e boca podiam
pele , gozo e cicatriz...
(Dine)

terça-feira, 29 de junho de 2010

Puta que pariu!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

domingo, 27 de junho de 2010

As pessoas usam tantas roupas e disfarces
tanto colírio e maquiagem
pouco conteúdo,muita abordagem
tantos barcos perdendo a viagem...

[Dine]

sábado, 26 de junho de 2010

O colorido dos seus olhos me engana sim.Neles eu me perco e perco também todo o cinza desses dias.Deixo infinitas cores me possuirem e, por segundos,um arco-íris mora em mim.

(Dine)

Até que tudo mude de cor
continuo a pintar com coleções antigas...
(Dine)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Entre fios e veias
entre laços
me perco
me salvo
me acho
[Dine]

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Bilhete antes do fim

Ele foi embora,não deixou endereço novo,nenhum bilhete de despedida ou seu cheiro em qualquer cômodo do apartamento.Procurei em todos os lugares,até no peito.Se esteve algum dia lá,fugiu e eu nem percebi a hora da partida.Corroeu minha alma e consegui por lá escapar.Apagou o rastro,não deixou nenhuma justificativa nem pegadas pra se seguir.Só sobrou uma historia sem final ou um final no meio.Eu fico aqui dando voltas no apartamento sem olhar o rélogio como se as cenas fossem se repetir hoje também e ele fosse entrar pela aquela porta mas a cena não é essa: já são 3 da manhã ,ele chegava as 23...
Foi!
Foi uma história
Foi o tempo
Foi embora

Agora entendo que todos os gestos desses últimos meses eram bilhetes antes do fim.
O gozo em silêncio,palavras escassas,o olhar pro horizonte,tudo era um único aviso,era eu que não decifrava os códigos...e nessa dança ,eu também ia lentamente embora.Sem bilhetes...sem adeus.
[Dine]

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Eu gosto é do teu descaso!
- Contigo?
Caso ,casos e acasos

(caso!)
[dine]

sábado, 12 de junho de 2010

Ninguém entende o que eu quero falar
Ninguém escuta o que é pra escutar
As palavras estão claras
e as pessoas com as mentes fechadas
as palavras estão na cara
o entendimento é só de fachada
Ninguém entende o lado de lá
o lado de lá sou eu
Só eu!
(Dine)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Deveríamos nos ver e conversar
Deveríamos nos ver e cansar de tanto expor
o que há em nós e tentar entender
o que há nos outros ...
(Dine)

Encontros que trazem pra nós

muito mais que o acaso...